Desses que luta
Gui Tronolone
No mundo há aqueles especializados em
dar murro em ponta de faca,
Quixotes.
Gente que não se vende, se doa
doa a quem doer.
E geralmente dói neles mesmos.
Eu sou assim.
Guerreiro desmiolado,
de peito aberto e punho cerrado,
um romântico na arte da guerra.
Dos que preferem morrer na dor do campo,
que na paz da cama, deitado.
Sim, eu sou desses que luta
até mesmo batalhas perdidas.
Dos que continuam atirando,
em vez de cuidar das feridas.
Sim, eu sou Kamikaze.
Um homem-bomba na Jihad infinita.
Lua e estrela, sem bandeira branca.
Mártir de uma causa bonita.
O morno eu vomito
nesse pecado do suicídio,
deixando o purgatório
e alçando vôo para o Céu,
com o Inferno sob os pés.
Mas quem vê a luz
não enxerga no escuro.
Quem vê você, Rafael,
olha a ponta da faca e enche de murro.
Noite des amor
Gui Tronolone
Você me beija a boca
me pega pelo braço
me arranca a roupa
me faz errar o passo
Você me joga de lado
me deita no chão
faz cara de safado
morde o meu dedão
Você me agarra as coxas
e pesa sobre mim
faz minhas forças frouxas
me leva além do fim
Você morde minha nuca
e arranha minhas costas
me arranca frases malucas
e abre as minhas portas
Você diz coisas ao pé do ouvido
ofega no meu pescoço
e molha o meu umbigo
com o suor do seu rosto
E nós rolamos na cama
fazendo hora virar minuto
e quando um de nós inflama
o outro vai ao céu junto
Depois a gente se aninha
e você gosta assim
põe sua mão na minha
me olha e sorri pra mim
"Olha aqui, me escuta:
eu te amo e te quero agora"
Aí você se assusta
veste as calças e vai embora
Esse é o golpe do seu açoite
seu medo é seu eu mais verdadeiro
e eu passo mais uma noite
abraçado ao travesseiro.
Comentando o comentário
É bacana ver como as pessoas são sensiveis em seus comentários sobre os sentimentos dos outros. Mas comigo até não tem problemas... mas seja lá quem vc for, lave sua mente com soda cáustica antes de falar qualquer coisa sobre o Rafael!
Juventude Desviada
É muito fácil viver intensamente da boca para fora. Entoar "Carpe Diem", reproduzir "Morre lentamente quem evita uma paixão" ou bradar "que não seja eterno, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure". Mas quem realmente consegue viver assim? Olho para os lados e vejo pessoas movidas pelo medo, multidões de coelhos que só querem garantir sua própria sobrevivência, mesmo que resumida a uma toca subterrânea.
Que juventude é essa que escolhe tanto mas não decide nada? O salário escolhe a profissão, o "ter futuro" escolhe o amor. De onde surgiu essa geração de bancários, submissos à praticidade, como que procurassem as garantias para investirem suas gotas de suor, seus ímpetos de paixão? Em que trágico momento fomos tomados pelo velocista número dois de uma corrida de revezamento, a quem resta apenas não estragar o impulso tomado por quem nos entregou o bastão e entregá-lo sem comprometimentos ao próximo corredor?
De onde saiu essa gente que olha aterrorizada para as tetas da vida e pensa em anticorpos e vitaminas, em vez da delícia de sugar o calor de seis fartos? Essa gente careta e covarde que não sabe para onde está indo, emperra os motores da vida e não suas rodas. Os seguidores de uma Constituição em que prevalece a terceira Lei de Newton precisam ser sacudidos! Como sonâmbulos que caminham mortos na direção de um abismo vazio eles seguem me chamando de sonhador, julgando estarem mortos os meus ideais.
De onde veio essa juventude que não se preza nem mesmo a mudar sua própria cabeça, quem dirá o mundo? Juventude velha, convencida de alguma forma a se contentar com sua própria inexistência. Talvez certo esteja o Mercury, perguntando quem ousa amar quando o amor está condenado à morte!
Quem ousa cantar os hinos de uma vida colorida, em um mundo que enxerga em branco e preto? Em meio a essa geração que se resume a rascunho - não é impulso criativo e nem arte final - talvez só reste esperar pela morte.
Moinho de Vento
Gui Tronolone

Quem é você? Quem você me faz ser?
Me faz sereia no mar azul dos seus olhos,
mas me nega a natureza de mergulhar.
Me faz cavalo selvagem nos trigueiros do seu cabelo,
mas me nega a natureza de correr.
Me faz criança na palma doce da sua mão,
mas me nega a natureza de agarrá-la.
Que diferença fazem agora essas palavras?
Onde eu te toco?
Nos meus sonhos, eu te mareio,
encho de névoa os seus pensamentos
porque a dúvida é sempre o início da mudança.
Mas onde eu te toco?
Nos meus sonhos você pensa em mim,
percebe quando eu não estou por perto,
e sente falta.
A dúvida te pinça a espinha
quando você diz que não quer.
Mas esses são sonhos
e sonhos não são feitos para serem realizados.
São feitos para serem perseguidos.
É assim que descobrimos dois potes de ouro
no final do arco-íris.
Quem você me faz ser?
Se você me faz sonhador,
que venham os longos braços de Morfeu.
Se você me faz esperar,
que venha a serenidade de uma alma eterna.
Se o amor me faz Dom Quixote,
que venham os Moinhos de Vento!
|
||
![]() | ||
![]() | ||
![]() | ||
|
||