Ao mostrar o humano por trás dos rótulos, o big brother
mostrou a todo o Brasil como o preconceito é ignorante
Nessa terça-feira, a quinta edição do Big Brother Brasil chega ao seu fim e tem entre seus finalistas o mais improvável participante. O baiano Jean conquistou a simpatia e o respeito de todo o público e se tornou a maior liderança dentro da casa ao fazer todo o Brasil enxergar o ser humano por trás dos rótulos que carregava.
Nordestino, pardo e homossexual assumido, Jean é hoje admirado por sua inteligência, seu caráter e sensibilidade. E torna-se assim um marco não só da televisão, como também da sociedade brasileira. Não seria sensato dizer que o apoio do nicho GLBT é único responsável pelos milhões de votos que mantiveram o professor na casa em cinco paredões.
Jean não venceu apenas paredões, venceu barreiras. Não foi apenas um professor Big Brother, foi um Big Brother professor. Sim, Jean ensinou ao Brasil todo como os preconceitos são ignorantes em sua natureza. É pressuposto do preconceito ignorar o ser humano por trás de suas características mais superficiais.
Talvez, depois dessa edição do programa, algumas pessoas sejam capazes de mudar seus conceitos. Antes de xingar um homossexual, alguém pode pensar se não é exatamente ele a melhor pessoa entre as vinte à sua volta. Antes de expulsar um filho de casa, um pai pode agora ponderar que a sexualidade não é um defeito de caráter, mas apenas uma característica de seu filho tão irrelevante quanto a cor de seus olhos.
Entre os três finalistas, o público brasileiro tem a oportunidade de mostrar que aprendeu com Jean e não se render aos encantos fáceis de uma Miss Brasil. Também ela rompeu os preconceitos da beleza. Mas é fácil mostrar suas qualidades quando todos estão predispostos a te ouvir. Difícil é conquistar o público que vem ao show com a intenção de vaiar.
Mesmo se não sair da casa com R$ 1 milhão, o nosso improvável finalista é um vencedor. Entre todos foi o único que teve de enfrentar paredões todos os dias da disputa. Os paredões que infelizmente ainda fazem parte da mentalidade da nossa sociedade. E em tempos de Severino e outros infelizes exemplos que nos remetem diariamente ao atraso dos valores do nosso país, Jean merece a coroação de um simples brasileiro que aproveitou seus quinze minutos de fama para fazer a diferença.
Eu estou indo votar nele. E você?
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